A participação do atletismo brasileiro nos Jogos Olímpicos da Juventude Cingapura 2010 foi coroada com a conquista de mais duas medalhas. Nesta segunda-feira, dia 23, no Bishan Stadium, o Brasil foi medalha de ouro no revezamento medley continental masculino, com Caio Cezar Fernandes; e prata no salto com vara, com Thiago Bráz. Além disso, a modalidade colocou dez dos seus 15 atletas nas finais em Cingapura.
Na última prova do dia, Caio Cezar Fernandes, que já havia conquistado a medalha de ouro no salto em distância, no domingo, alcançou mais um ouro ao representar o país no revezamento medley continental, que reuniu os melhores corredores do mundo. O continente americano montou um verdadeiro Dream Team para a prova, em que atletas de quatro países corriam uma distância diferente. Caio abriu a disputa nos 100m, passando o bastão para o jamaicano Odanee Skeen (medalha de ouro nos 100m), que correu os 200m. O americano Najee Glass e o dominicano Luguelin Santos, nos 300m e 400m respectivamente, completaram a equipe campeã olímpica. A equipe americana conquistou o ouro com o tempo total de 1min51s38. A prata ficou com o combinado da Europa (1min52s11) e o bronze para a equipe da Oceania (1min52s71).
Além de conquistar seu segundo ouro, participar de uma prova junto com atletas de outras nacionalidades, um dos pilares destes Jogos da Juventude, agradou Caio Cezar. "Estou feliz. Gostei muito. Achei impressionante a experiência de competir ao lado de outros atletas das Américas. Treinamos pela manhã e foi ótimo. Os atletas são muito simpáticos, legais. Foi muito diferente. Não esperava correr ao lado de jamaicanos, americanos, potências do atletismo, como o Brasil também é. Foi uma equipe forte. Não tenho nem palavras para descrever a emoção de conquistar duas medalhas para o Brasil nos Jogos Olímpicos", comemorou Caio.
Medalha de prata no salto com vara, Thiago Bráz, de 16 anos, mostrou evolução durante a competição. Na disputa final, demonstrou frieza e competência, mesmo debaixo da forte chuva que caiu em Cingapura. Vendo os outros adversários sendo eliminados, o brasileiro permaneceu na disputa junto com o espanhol Didac Salas, medalha de ouro, até os 5m15, marca que nenhum dos dois conseguiu superar. Na última tentativa, por pouco não supera a altura e conquista o ouro. Assim, os dois ficaram com 5m05, melhor marca da carreira do brasileiro. Um erro de Thiago quando o sarrafo ainda estava em 4m70 foi o que desempatou o confronto. O bronze ficou com o grego Chrysanthopoulos, com 4m95.
A medalha de prata foi motivo de comemoração para este jovem de personalidade tranquila e treinado por Elson Miranda, o mesmo de Fabiana Murer. "A prova foi muito emocionante. Achei que fosse passar na ultima tentativa, mas acabei raspando o peito. De qualquer forma, já estava com a prata e muito feliz. Nunca pensei em disputar os Jogos Olímpicos. É muito emocionante conquistar a medalha. Não importa a cor. Todo atleta sonha com isso. Para minha categoria é um resultado empolgante. Espero que mais gente comece a praticar o salto com vara. O resultado me estimula a treinar ainda mais para chegar aos Jogos Olímpicos de 2016, meu grande objetivo", projeta Thiago, natural de Marília (SP).
Ao colocar 10 de seus 15 atletas em finais olímpicas, o atletismo finaliza sua participação nos Jogos Olímpicos de Cingapura com saldo amplamente positivo. "As três medalhas que conquistamos entram para a História. Demos as melhores condições aos 15 atletas da delegação e hoje colhemos os frutos. Eles tiveram oportunidade de fazer estágio no exterior, com os melhores treinadores e materiais de competição de alta qualidade. São todos jovens batalhadores e representam o povo brasileiro. Quando tem oportunidade mostram seu valor. Os resultados vieram ás custas de muito trabalho. O Thiago Bráz, por exemplo, era quarto do Brasil no ano passado e hoje é o segundo do mundo", analisou o treinador-chefe da equipe, José Haroldo Loureiro Gomes Arataca.