No ano em que o Brasil comemora o 90º aniversário da conquista de sua primeira medalha olímpica, obtida pelo atirador Guilherme Paraense, na Antuérpia, em 1920, a modalidade ganha de presente mais um resultado histórico. Nesta terça-feira, dia 24, Felipe Wu, de 18 anos, conquistou a prata da Pistola 10m dos Jogos Olímpicos da Juventude Cingapura 2010. Esta é a quarta medalha do país na competição, que reúne 3600 atletas com idade entre 14 a 18 anos de 205 países. Felipe, classificado para a final com a segunda melhor marca, manteve a colocação totalizando 676.0 pontos, apenas 0.3 atrás do ucraniano Denys Kushnirov, medalha de ouro. O bronze ficou com o coreano Daehan Choi, com 671.6.
Para conquistar a medalha de prata, o paulista Felipe Wu demonstrou qualidade em dois requisitos básicos para o sucesso no tiro esportivo: frieza e precisão. E isso tudo em uma final olímpica onde a pressão sempre é mais intensa. Nada que abalasse este garoto de personalidade serena, que acaba de terminar ensino superior e pensa em prestar vestibular para Engenharia Aeronáutica. O primeiro grande resultado da modalidade em Jogos Olímpicos da Juventude teve contornos dramáticos. Por muito pouco, 0.3 pontos mais especificamente, o brasileiro não alcança o ucraniano. O brasileiro permaneceu na cola do europeu durante toda decisão, onde cada atleta tinha direito a dez tiros, e por um momento chegou a ficar a apenas 0.1 de diferença. "Depois que cheguei à final em segundo, eu só pensava em manter essa posição. Não tinha noção do resultado durante a prova, mas achava que eu estava muito atrás, pois não víamos o placar. Quando recebi a notícia da prata foi ótimo. O treinamento compensou. Estava atirando mal nos últimos tempos e não esperava esse resultado. Queria fazer o meu melhor e consegui", comentou o atleta. Felipe teve sua preparação para os Jogos Olímpicos da Juventude apoiada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), através de suporte para suas viagens e treinamentos.
Felipe teve um desempenho destacado nos Jogos Olímpicos, onde demonstrou muita regularidade. Classificou-se para a final como atleta que mais vezes, 26, acertou o alvo. A diferença para o ucraniano neste momento do torneio era de dois pontos. Na decisão, obteve a melhor pontuação em um tiro, 10.6, e com uma ótima sequência, conseguiu diminuir a diferença para 0.3 pontos. No início deste mês, Felipe disputou o Campeonato Mundial Junior, com os mesmos adversários de Cingapura 2010 e ficou na 46ª colocação. "A diferença foi a garra. Foi o que meu treinador me falou. Precisamos sempre de um algo a mais na hora da competição e eu consegui desta vez. Todo mundo aqui sabe atirar. A questão é na hora da decisão ver como cada um reagirá. Estava muito nervoso, mas consegui controlar. Meu desempenho foi bom, mas poderia ter sido ainda melhor", revelou o exigente atirador, que tem como recorde pessoal 582 pontos, recorde brasileiro. Felipe começou no esporte por influência dos pais, também atiradores, por diversão, aos oito anos. Com 11 anos, já participava de competições. Atualmente, integra a equipe adulta do Brasil e será um dos atletas do país que tentarão conseguir vaga para os Jogos Olímpicos de Londres 2012.
Além do presente à sua modalidade pelos 90 anos da histórica conquista de Guilherme Paraense, o feito de Felipe é uma homenagem ao seu treinador nos Jogos Olímpicos da Juventude, Ricardo Brenck que nesta terça-feira comemora 53 anos. "É um resultado muito importante para o Brasil e para o tiro esportivo. Ainda mais feito por um atleta como o Felipe. Ele manteve-se firme e conseguiu o resultado. É pura cabeça, concentração. Ele é um atleta excepcional e tem tudo para ser campeão olímpico. Com certeza essa medalha vai elevar muito o nível dele", projetou.